
Âmbar
O calor que fica na pele
O que chamamos de 'âmbar' em perfume moderno quase nunca é a pedra amarelada que você vê em joias, essa é resina fossilizada de árvores pré-históricas e praticamente não tem aroma. O 'âmbar' que você sente em um perfume é um acorde criado com benjoim, baunilha, labdanum (ládano) e moléculas sintéticas como o ambroxan, que simula o aroma do ambergris, substância preciosa da baleia-cachalote.
Benjoim vem das resinas de árvores do sudeste asiático. Labdanum vem das folhas da Cistus do Mediterrâneo. Ambroxan é sintetizado em laboratório desde 1950. Juntos, formam o 'acorde âmbar', quente, doce, resinoso, base universal em perfumaria oriental.
Usado em perfumaria árabe há mais de 2.000 anos. O ambergris foi tão valioso em certas épocas que equivalia em peso ao ouro. Hoje é proibido em muitos países, substituído por ambroxan com resultado praticamente idêntico. O 'ambarado' é talvez a categoria mais presente nos perfumes orientais modernos, 80% dos orientais masculinos têm alguma variação de âmbar no fundo.
Doce sem ser enjoativo. Quente sem ser agressivo. Entra no fundo do perfume e funde tudo em volta, madeira, baunilha, oud, rosa, especiarias, num único acorde envolvente. É a razão pela qual perfumes árabes 'abraçam' a pele em vez de só pairar sobre ela.
Depois de 2h no perfume, quando os cítricos sumiram e o coração se acalmou, o que sobra é o âmbar. Pele quente, cheiro adocicado que não é chocolate, não é baunilha pura, é uma mistura resinosa particular. Quando alguém te abraça e diz 'que perfume é esse?', geralmente está sentindo o âmbar.



































